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sábado, 26 de julho de 2014

Volvo Bus compensa queda das vendas com exportações

Fabricante espera manter produção estável em 2014 com negócios externos
GIOVANNA RIATO, AB
A divisão de ônibus da Volvo no Brasil enfrenta a baixa do mercado com um reforço nas exportações. A companhia estima a venda de 800 unidades em outros países este ano, a maior parte para a Colômbia. Com isso a montadora deve manter este ano o mesmo nível de produção registrado em 2013 na planta de Curitiba (PR), próximo de 3,2 mil unidades, apesar de ter reduzido a atividade na fábrica para apenas um turno de trabalho desde agosto do ano passado. 
“No início de 2013 vínhamos produzindo em ritmo acelerado. Quando vimos que o mercado não absorveria tantos veículos tiramos o pé do acelerador”, conta Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus América Latina. Ele admite que a queda brusca das vendas causou aumento expressivo dos estoques, mas garante que os volumes de chassis armazenados já voltou ao patamar normal. 
Segundo o executivo, tradicionalmente 65% da produção da companhia na fábrica paranaense são destinados ao mercado brasileiro e os outros 35% atendem a demanda de outros países. Este ano, no entanto, esta dinâmica se inverteu e a companhia tem vendido no exterior perto de 65% da produção nacional de ônibus.
O executivo enfatiza que, apesar da contração de 13,7% nas vendas no Brasil entre janeiro e junho, para 13,3 mil chassis, a Volvo conseguiu manter a sua fatia de market share em 11%, com 21% de presença no segmento de pesados e 9% entre os modelos semipesados. Dados da Anfavea apontam que a marca teve redução nos negócios no primeiro semestre, de 10,3%, retração inferior a do mercado total.
Pimenta avalia que a queda do mercado de ônibus é inevitável para este ano. Ele projeta vendas próximas de 28 mil unidades, o que corresponderia à retração de cerca de 15% sobre o resultado do ano passado. Na opinião do presidente, duas medidas precisam ser tomadas para que o mercado destrave. A primeira delas é a regulamentação do novo modelo de concessão do transporte rodoviário interestadual. 
A permissão para atuar no segmento, que antes era obtida por meio de concorrência pública, foi simplificada e depende agora apenas de autorização. Os requisitos técnicos para que uma empresa receba a concessão, no entanto, ainda não foram definidos. “Enquanto isso não estiver acertado as vendas do segmento rodoviário continuarão fracas.” Para o executivo, com esse aspecto determinado as encomendas terão aquecimento, já que há demanda reprimida. 
A outra medida capaz de impulsionar as vendas na opinião de Pimenta é o reajuste da tarifa do transporte público nos centros urbanos. “Enquanto não aumentar a passagem os empresários não vão investir em novos ônibus. Quando São Paulo e Rio de Janeiro anunciarem reajuste outras cidades do Brasil também farão isso”, acredita. Ele espera que isso aconteça em 2015, já que seria muito complicado protelar a revisão dos preços para o ano seguinte, quando há eleição para prefeito. 
ÔNIBUS HÍBRIDO 
A Volvo produz há cerca de dois anos um modelo de ônibus híbrido diesel-elétrico no complexo industrial paranaense. Os planos da companhia para o veículo, no entanto, foram surpreendidos pela redução do ritmo do mercado nacional. “Temos enfrentado alguns desafios. Além das questões que afetam as vendas, temos ainda o alto número de ônibus queimados em várias cidades. Os empresários ficam temerosos de investir alto em um veículo com a tecnologia e depois enfrentar um problema como esse”, aponta. 
Logo no início do projeto a montadora fechou a venda de 30 unidades para a cidade de Curitiba (PR) e cerca de cinco para São Paulo (SP). Este ano uma nova encomenda veio de Brasília (DF), de 18 chassis. Dessa forma, o que tem garantido bom ritmo de produção do modelo à marca no Brasil é a demanda externa. Este ano, dos 800 ônibus que a Volvo projeta exportar, 450 unidades serão do modelo híbrido. “Há ainda possibilidade de fecharmos mais 50 chassis”, revela Pimenta. 
Em alguns anos o mercado de ônibus elétricos e híbridos deverá contar com um novo player. A chinesa BYD anunciou a construção de uma planta no Brasil para produzir modelos com estas tecnologias (leia aqui). A novidade foi recebida com otimismo pelo executivo da Volvo. “Em alguns momentos a concorrência até ajuda disseminando o conceito e a tecnologia”, pondera.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mercedes-Benz e Volvo continuam expansão

A Mercedes-Benz e a Volvo garantiram ganhos expressivos no segmento de ônibus no primeiro quadrimestre deste ano, apesar do cenário de retração do mercado. As vendas totais ficaram 1% menores no período em relação ao resultado registrado há um ano.
O impacto do Proconve P7 no segmento é menos imediato do que no de caminhões. Grande parte dos chassis emplacados no início deste ano foi vendida no fim de 2011. Outro fator que diferencia o setor de ônibus é que a venda de chassis urbanos, parte importante da demanda, é motivada por decisões políticas, não apenas econômicas.
A Mercedes-Benz acelerou os negócios entre janeiro e abril. Depois de encerrar 2011 com queda de participação no mercado, a companhia abocanhou quase 7 pontos porcentuais de market share e sustentou a liderança com 50,1% das vendas. Foram emplacados 5,3 mil veículos da marca alemã, com alta 14,8%.
O desempenho está em linha com o plano de Gilson Mansur, diretor de vendas e marketing de ônibus da empresa para o Brasil. Durante apresentação do chassi off road (leia aqui), ele afirmou que garantir uma fatia de mercado superior a 50% é uma “obrigação”. O executivo apontou que, no ano passado, a Mercedes-Benz teve dificuldade para atender a demanda e perdeu vendas.
O início da produção de caminhões em Juiz de Fora (MG) liberou espaço na planta de São Bernardo do Campo (SP), que elevou a capacidade produtiva de ônibus. Dessa forma, a empresa garante ter condições para atender tranquilamente os pedidos deste ano. Na visão de Mansur as encomendas devem ter retração de 10% a 20% na comparação com 2011, para um volume máximo de 31,2 mil veículos.
Já a MAN, segunda colocada no ranking, perdeu fatia de 6,5 pp nos emplacamentos e respondeu por 27,7% dos vendas. Com isso, a montadora abriu mão do avanço conquistado no ano passado, quando deteve 32,1% Do mercado. Entre janeiro e abril foram licenciadas 2,9 mil unidades, com decréscimo de 19,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
A Agrale sustentou a terceira posição nas vendas de ônibus do País, mas também teve perda significativa, de 2 pp. A fabricante brasileira entregou 1,1 mil veículos no período, com queda de 16,5%.
Depois de ganhar quase 2 pontos de participação em 2011, a Volvo acelerou ainda mais nos primeiros meses do ano e abocanhou 4,3 pp de market share, para 5,6%. Com 604 unidades comercializadas, a empresa elevou as vendas em 313,7% e subiu da sexta para quarta posição no ranking. A alta foi puxada pelo chassi com motor frontal B270F.
A empresa tem planos ambiciosos para continuar a subida Brasil ao longo do ano. Uma das principais ações será o início das vendas do chassi híbrido diesel-elétrico, que começa a ser produzido no próximo mês. A companhia renovou toda a linha de ônibus para o início do Proconve P7. “A nova legislação vai zerar o jogo. Mudanças significativas podem acontecer a partir de agora”, afirmou Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus para a América Latina, durante a apresentação dos modelos para a imprensa. A intenção dele é aproveitar a mudança para ganhar espaço.
A Iveco, que ficou na quinta colocação, teve pequena variação de markt share, com perda de 0,4 pp para 4,4%. Foram emplacados 475 ônibus da marca, volume 9,7% inferior ao registrado há um ano. A Scania desceu um degrau no ranking e fechou o quadrimestre na sexta posição. Apesar disso, houve ganho de 1,1 ponto de participação. As vendas da marca saltaram 39,5% e chegaram a 402 unidades.
Surpreendentemente a International aparece como última colocada no segmento, com 27 unidades licenciadas. A companhia já vende caminhões no País, mas ainda não confirmou negócios locais no segmento de ônibus, apesar de admitir o interesse em entrar nesse mercado.

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