sexta-feira, 11 de março de 2011

Argentina impõe barreiras aos ônibus brasileiros

Atendendo reivindicação de seus industriais o governo da Argentina continua impondo medidas de salva-guardas às exportações automáticas do Brasil. Dentre os segmentos prejudicados está o de ônibus, que tem no país vizinho o seu maior importador. Recentemente a Marcopolo, de Caxias do Sul, RS, precisou de intermediação do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para liberar cerca de cem ônibus que estavam retidos na alfândega argentina.
O presidente da Fabus e do Simefre, José Antônio Fernandes Martins, integrante do Conselho de Administração da Marcopolo, acredita que a situação não terá solução imediata: a cada movimento dos industriais argentinos os representantes brasileiros terão de negociar a liberação de licenças. “Toda exportação não-automática precisa de autorização e, normalmente, há demora na liberação, determinando a retenção das mercadorias na alfândega.” Segundo Martins o pedido de salva-guardas se dá quase sempre quando há aumento expressivo de exportações ou problemas econômicos no país.
A saída, entende o executivo, dependerá sempre do apoio do Governo Federal para encaminhar a liberação das licenças. “Temos pouca margem para resolver este problema. Negociar sempre que ele ocorrer ainda é a melhor alternativa no momento.”
O diretor de relações com investidores da Marcopolo, Carlos Zignani, confirmou a retenção de ônibus no início do ano na alfândega argentina. Destacou, porém, que no momento não há nenhuma unidade presa porque as exportações estão fracas em função da sazonalidade daquele mercado. “Mas é algo que nos preocupa para quando houver a reação.” Os frotistas argentinos investem em ônibus rodoviários double decker brasileiros, veículos de alto valor agregado. Já as vendas de urbanos são mínimas.
Uma possível saída, na visão de Zignani, é a emissão de duas guias de exportação – uma para o chassi e outra para a carroçaria –, pois neste caso o ônibus não entraria na Argentina na condição de veículo pronto. Atualmente é expedido somente um certificado, pela encarroçadora ou pela montadora. Martins, no entanto, considera complicada sua consolidação pela dificuldade de ajustar os interesses das duas companhias. “Vamos ter de avaliar bem qual a melhor saída.”

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