sexta-feira, 4 de junho de 2010

ÁFRICA AJUDA MARCOPOLO A CRESCER

Empresas
Prevendo um aumento significativo na demanda por ônibus proveniente da Copa do Mundo, a Marcopolo, fabricante brasileira de carrocerias, decidiu incrementar a produção de sua planta na África do Sul. Presente no país desde 2000, a empresa desembolsou US$ 5 milhões visando duplicar a montagem na cidade de Joanesburgo.
A iniciativa foi beneficiada pela prioridade dada pelo governo africano às marcas que possuem fábricas no país. Como a única encarroçadora com origem estrangeira no local, a companhia de Caxias do Sul atingiu seus objetivos e os resultados operacionais puxaram a produção internacional da empresa no primeiro trimestre, que chegou a 2.018 unidades, 64,9% a mais que em 2009.
Entre modelos urbanos e rodoviários, a produção na África do Sul cresceu 282% neste início de ano, alcançando 700 modelos. Desse montante, 460 ônibus de alto luxo (Paradiso 1200) foram entregues aos países que competirão no torneio mundial que iniciará em 11 de junho.
“A nossa fábrica era pequena e devido à alta demanda para a Copa e o auxílio do governo, que priorizou as aquisições locais, conseguimos ampliar a capacidade duas vezes mais. Investimos com objetivo exclusivo nos negócios do campeonato de futebol”, observa Carlos Zignani, diretor de Relações com Investidores da Marcopolo.
Segundo ele, após a Copa, a tendência é que a produção recue um pouco, mas há perspectivas de novas entregas em razão das melhorias que serão realizadas no sistema de transporte urbano, ainda amador.
“No primeiro momento, as encomendas serão menores, mas a África ainda necessita modernizar seu transporte coletivo. O sistema é informal e o governo pretende regularizar a situação a fim de introduzir um sistema eficiente de transporte de massa”, declara o executivo.

Outros mercados

No continente africano, os resultados foram favoráveis também no Egito – a joint venture com a GB Auto produziu 105 ônibus -, Angola e Nigéria. Na América do Sul, a produção na Argentina cresceu 17,5%, com 134 modelos fabricados, e na Colômbia 8,6%, com 189 unidades.
Outro mercado importante foi a Índia que obteve crescimento de 211% no primeiro trimestre. Em parceria com a Tata Motors, as fábricas da empresa produziram 1.320 unidades, e há previsão para superar seis mil ônibus fabricados. A companhia quer substituir os pequenos produtores que prestam serviços para a Tata.
Diante do desempenho no exterior, Zignani aponta o sucesso das joint venture nos negócios internacionais da Marcopolo. “É uma definição estratégica. O parceiro local facilita a entrada no país e, em vez de inimigo ganhamos um aliado, que contribui conhecimento estratégico e nos fornece informações importantes do governo. Sem ele, jamais atingiríamos o nível de produção atual”, destaca.
O desempenho do mercado brasileiro acompanhou os resultados no exterior com crescimento de 51,8% no primeiro trimestre. Ao todo foram produzidas 4.116 unidades, contra 2.711 registradas em 2009. Como destaque nos negócios esteve o lançamento da Geração 7 de ônibus rodoviários.
No mercado nacional, a encarroçadora projeta atingir receita líquida de R$ 2,55 bilhões e produção de 24.700 ônibus, entre rodoviários e urbanos em 2010.
Para a Copa de 2014, que será disputada em solo nacional, Zignani, afirma que ainda é cedo tratar do assunto, mas que existe grande expectativa de crescimento, principalmente a partir do investimento de R$ 12 bilhões em transporte, previsto no PAC.
“Esperamos um desempenho superior ao verificado na África do Sul. O Brasil tem mais tradição no futebol e mais atrativos para os turistas. Teremos sedes de Norte a Sul. Ainda é cedo, mas temos confiança que o transporte coletivo crescerá nos próximos seis anos”, concluiu.
 
Por Webtranspo/Marco Garcia/Site da Secco Consultoria

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