terça-feira, 10 de maio de 2011

MAN produz o primeiro ônibus flex

Veículo poderá rodar com taxa média de 85% a 90% de gás natural veicular.
Resende e Rio
Economia de gastos e menos poluição do ar serão os maiores ganhos proporcionados por uma tecnologia pioneira de propulsão de veículos pesados, como ônibus e caminhões, desenvolvida pala MAN Latin America por iniciativa do Governo do Estado do Rio de Janeiro: um motor flex alimentado tanto por GNV (gás natural veicular), como por diesel, com a mesma eficiência. O protótipo de um ônibus dotado com o novo sistema foi apresentado, na manhã desta terça-feira, no Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo.
O projeto, a exemplo da tecnologia criada há alguns anos no país para carros leves, igualmente pioneira no mundo e já importada por alguns países, foi desenvolvido pelas filiais na América Latina de duas multinacionais: a fábrica da MAN Latin America, em Resende, que produz caminhões e ônibus Volkswagen, e a Robert Bosch América Latin, a responsável pelo sistema de injeção dos combustíveis no motor do veículo, permitindo que o ônibus rode com até 90% de GNV.
O protótipo, que será testado durante um ano nas ruas do Rio, faz parte do Programa Rio Transporte Sustentável, cujo objetivo é buscar alternativas de transporte mais limpo para o estado que vai sediar grandes eventos nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Representando o governador Sérgio Cabral, na cerimônia de apresentação do ônibus GNV + diesel, o secretário de Transportes, Julio Lopes, mostrou-se entusiasmado com o projeto.
- Se for aprovado em todos os testes, naturalmente as empresas de ônibus que fazem transporte de passageiros se atrairão por este modelo que é bastante compensador e vão fazendo suas trocas de frota. O importante é que possamos chegar a 2016 com uma frota de ônibus limpa, que é o nosso objetivo olímpico - afirmou o secretário.
Sistema contribuirá para formação de um grande mercado de gás natural
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, ressaltou o esforço conjunto de várias instituições públicas e privadas para tornar viável o ônibus GNV + diesel: além do Governo do Estado e das duas multinacionais, a Petrobras, a CEG e a Faperj participam do projeto. Ele acredita que o sistema contribuirá para formação de um grande mercado de gás natural no país.
- Esta tecnologia, comprovada a sua eficiência, vai causar uma revolução no mercado no Estado do Rio e no Brasil, porque o uso do gás natural desloca o diesel, o grande vilão da área de transportes para o meio ambiente, devido à emissão de poluentes poderosos, como enxofre e particulado (resultados da queima do diesel), e pelo fator econômico, já que o custo do gás natural é menor que o do diesel, compensando os investimentos iniciais das empresas para a adaptação de suas frotas - argumentou Bueno.
O sistema emite 20% a menos de gás carbônico e 80% menos que o particulado em relação ao diesel e, numa projeção otimista, a economia será em média de 25%, comparando o preço atual do litro do diesel, a R$ 1,70, ao metro cúbico de gás natural, a R$ 1,20, numa rodagem de 350 quilômetros diários, segundo os cálculos do vice-presidente executivo da Robert Bosch América Latina, Besaliel Botelho. Ele disse que acredita no sucesso do projeto, da mesma forma quando, há 10 anos, participou do lançamento do carro a passeio com motor flex.
- O bicombustível revolucionou a matriz energética e a indústria automobilística brasileiras, ao trazer o livre arbítrio para o consumidor final. E hoje aqui é outro golaço que estamos trazendo para o veículo pesado, uma novidade tecnológica desenvolvida pela engenharia genuinamente brasileira, como foi o etanol. E com uma novidade: este sistema já atende às leis de emissões de gases que entrarão em vigor em 2012, ou seja, um sistema eletrônico, moderno, tão eficiente quanto o uso do diesel - explicou Botelho.
A CEG, empresa do Grupo Gás Natural Fenosa, vai garantir o fornecimento de GNV durante a fase de testes do ônibus. A empresa, segundo o presidente Bruno Armbrust, está preparada para investir na construção do sistema de abastecimento para suprir a futura demanda de veículos com a nova tecnologia. O Rio de Janeiro é o estado brasileiro que concentra a maior frota de veículos leves com tecnologia GNV - cerca de 748 mil veículos - e o maior número de postos de abastecimento deste combustível - 421 na Região Metropolitana e 93 no interior.
Durante a fase de testes, o ônibus protótipo será usado em trajeto a ser definido pela Secretaria de Transportes. No mesmo período, a MAN, em conjunto com o Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, acompanhará o desempenho do veículo por meio da medição de sua eficiência energética, taxa de substituição e viabilidade econômica do projeto. O veículo possui motor traseiro de seis cilindros e 17 toneladas de peso bruto total. Este é o primeiro ônibus com tecnologia flex GNV + diesel homologado pelo Inmetro.

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