sábado, 12 de maio de 2012

Motoristas desafiam leis de trânsito nas estradas brasileiras

Avanço de velocidade foi um dos problemas encontrados. Estudo americano revela que cinto de segurança com três pontos de fixação protege até sete vezes mais do que o de dois, o utilizado no Brasil.
Nesta semana em que o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens especiais sobre as viagens de ônibus pelo Brasil, o repórter Rodrigo Alvarez mostrou nesta quarta-feira (9) o desrespeito aos limites de velocidade e o risco que isso representa para todos.
Quando dois jumentos entram na estrada basta um terceiro jumento para botar em risco a vida de todo mundo. E ele chega acelerado, levando o motorista do carro a desviar pela contramão e quase bater.
Quando tem animais na pista ou quando surge algum imprevisto nas estradas, mais do que inteligência, é preciso prudência. A equipe do Jornal Nacional percorreu 6,1 mil quilômetros procurando, mas a prudência foi coisa difícil de encontrar.
“Como é que eu vou sair em uma viagem de Belo Horizonte a Brasília a 80 por hora?”, diz um motorista.
E em viagens que duram dias inteiros, fala-se até o que normalmente não se falaria.
Ao dirigir a 90 em uma estrada para 60, você está aumentando o seu risco e o risco dos passageiros, mas vai de cada um. É um risco, mas não adianta mentir. O pessoal anda e a gente anda também”, revela um condutor.
Motoristas passam dos limites, mas sempre com cinto de segurança.
“É perigoso andar sem cinto. Perigoso principalmente esses aqui da frente, né? Nós orientamos, mas não podemos obrigar”, fala um motorista.
A equipe fez mais de uma dezena de viagens e praticamente não viu passageiro usando cinto de segurança. Uma situação que beira o absurdo, segundo o grupo, porque, pelo que parece, ninguém faz ideia do risco que está correndo.
Quem viaja solto, ignora o que acontece quando um ônibus bate, ainda que seja a 48 quilômetros por hora, como em um acidente simulado em um laboratório do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
“Eu costumo andar sem cinto”, afirma o estudante Maykon Francisco.
O passageiro que viaja como Maykon, sem cinto e no centro do ônibus, é quase sempre atirado pelo corredor.
“Eu sempre acho que não vai acontecer nada”, acrescenta o aluno.
Sensores espalhados pelo corpo de bonecos mediram a diferença entre usar cinto com fixação em dois e três pontos. A conclusão é que o cinto de três pontos protege até sete vezes mais.
Por fim, o estudo afirma que com cinto de três pontos, ônibus são bastante seguros nos Estados Unidos.
Mas a realidade brasileira é diferente: estradas esburacadas, falta de policiamento e passageiros sem cinto. Depois de procurar pelos quatro cantos do país, foi em uma viagem para Goiânia que a equipe finalmente encontrou um passageiro que não abre mão do cinto de segurança.
“Atualmente, a gente está acostumando tanto ao cinto que eu entro no cinema e fico procurando”, diz ele.
Se o passageiro parece sem cinto é por que os ônibus brasileiros só usam cinto de segurança com dois pontos de fixação, na cintura, aqueles que o estudo mostrou que são menos seguros.

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