sexta-feira, 8 de junho de 2012

Transporte é prioridade em Jundiaí

Mobilidade urbana nunca esteve no centro do debate político como no momento atual da região
JOSÉ ARNALDO DE OLIVEIRA
A mobilidade urbana, conceito que abrange o transporte convencional e mais as questões de acessibilidade, de pedestres e de ciclistas, é uma das prioridades dos debates sociais e políticos de Jundiaí. 
Esse quadro ficou ainda mais forte com o endosso dos vereadores, que anteciparam de 2016 para o ano o próximo ano o prazo de um plano setorial a ser feito pelo futuro prefeito nas emendas do Plano Diretor Estratégico. 
Para o jornalista Flávio Gut, a questão das ciclovias, por exemplo, é geralmente complicada por falta de verbas.“Mas as ciclorrotas com sinalização funcionam. Nada além do que a gente já costuma fazer, de achar um lugar para pedalar que seja menos agressivo. Em Londres existem essas faixas, só com o chão pintado, que desviam para ruas estreitas ou pontes onde só passam bikes nos lugares mais perigosos.” 
O crescente aumento da frota de automóveis particulares também leva especialistas a olharem para outros tipos de controle no futuro. O secretário Roberto Scaringella, de Transportes, defendeu na revista “Época” a criação do pedágio urbano em São Paulo como sugestão para o próximo prefeito da Capital. Em Jundiaí, ele já comentou ao BOM DIA que considera a alternativa inevitável no futuro em alguns trechos da cidade. 
Mesmo assim, as ruas destinadas aos veículos continuam sendo uma responsabilidade do poder público. Em situação pior ficam as calçadas, as vias de circulação dos pedestres, que são colocadas como responsabilidade dos proprietários de cada imóvel. 
A prefeitura até lançou no ano passado um “Guia de Calçadas” com normas de localização de lixeiras, árvores e declives de garagem para garantir a circulação de pessoas. Mas a própria Secretaria de Obras admite que o foco da prefeitura são as calçadas com grande circulação de pedestres, em partes do Centro. 
Os números do Censo 2010 sobre o tema, divulgados recentemente, mostram que Jundiaí segue a média brasileira de estar abaixo de 5% dos moradores com calçadas no entorno que possuem rampas de acesso a cadeirantes. 
Sem esse equipamento urbano, a presença de mais de 70% dos ônibus da frota circulante no município contar com acessibilidade fica incompleta. “Sem contar aquelas calçadas estreitas. O poste olha pra gente, a gente olha pra ele e não sai da frente. Deveriam enterrar a fiação em casos assim”, diz o aposentado José Costa.
Sistema intermodal é desafio para economizar os recursos
Em Jundiaí, o prefeito Miguel Haddad (PSDB) iniciou um estudo conjunto com a CPTM (companhia estadual de trens) sobre o transporte urbano sobre trilhos pelo menos entre Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí e Louveira. E iniciou análises de VLT (o veículo leve sobre trilhos) e BRT (o ônibus rápido em corredores). 
Mas aguarda também a liberação de R$ 150 milhões do Ministério das Cidades para entrar na segunda fase do Situ (Sistema Integrado de Transporte Urbano), hoje baseado nos terminais. 
Já o presidente do PT, Paulo Malerba, diz que a oposição mudaria esse rumo com o uso do bilhete único em toda a rede, ampliando a experiência hoje usada em alguns bairros com o projeto Ganha Tempo. 
“É claro que é preciso um estudo profundo do sistema intermodal, inclusive na região. Mas o projeto do Pedro (Bigardi, do PCdoB) de usar os atuais corredores de alta tensão, enterrando os cabos, teria um custo baixo comparado a outras alternativas e poderia ser usado para melhorar o sistema”, diz. 
Em comum, existe entre os envolvidos no tema a percepção de que a redução do uso do automóvel particular depende da atração criada por um sistema de transporte público com mais qualidade. Que poderia até ser elétrico com emissão de carbono zero.
Integração também é apontada por ciclistas
Entre as ideias que circulam com as rodas das bicicletas em Jundiaí, a criação de bicicletários (em terminais de ônibus e em prédios públicos) é um dos pontos apontados para a integração com o transporte público. 
200 mil 
é a estimativa de viagens individuais por dia nos ônibus de Jundiaí e região
Frota é de 160 mil
A cidade passou a barreira de um carro a cada 2,3 habitantes de 2010 a 2011

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