sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ônibus x Avião: o desafio de um mercado que ficou para trás

A competição com as aéreas, no entanto, não tem sido o único problema enfrentado pelas empresas de ônibus, principalmente as que operam as longas distâncias brasileiras
Por Daniel D’Andrea, do Mundo do Marketing |pauta@mundodomarketing.com.br
Há alguns meses resolvi visitar o interior do nordeste brasileiro em busca do entendimento in loco da situação de mercado e da competição no setor de transportes de passageiros, com foco especial no segmento rodoviário. Algo que complementasse a visão que tinha do setor desde São Paulo.
Foram mais de 30 cidades percorridas, de rodoviária em rodoviária, em quase três mil quilômetros de jornada, quase todos no sertão nordestino. Lugares como Serra Talhada (PE), Piripiri(PI), Guarabira (PB) e Juazeiro do Norte (CE), entre outros.Pude verificar a efervescência da economia local e a forte competição por passageiros na região, acirrada nos últimos anos pela sensívelredução nos preços das passagens aéreas, com oferta de assentos a preços muitas vezes equivalentes ou menores que os oferecidos pelas companhias rodoviárias. Estas, tomando-se uma visão histórica, têm visto o volume de passageiros transportados diminuir ano após ano.
A competição com as aéreas, no entanto, não tem sido o único problema enfrentado pelas empresas de
ônibus, principalmente as que operam as longas distâncias brasileiras. Passageiros têm migrado para empresas de transporte clandestino, que não oferecem nenhum serviço (e também, infelizmente, pouca segurança), mas que vendem ilegalmente passagens por até metade do valor cobrado pelas empresas regulamentadas. Além disso, o expressivo crescimento da frota de carros do Brasil tem possibilitado que muitas famílias optem por esta maneira de viagem, no qual os custos são divididos entre seus membros.
As próprias empresas de ônibus são também responsáveis em grande parte pela dificuldade na captura de passageiros e pela pressão de mercado que têm sofrido. Como concessionárias de serviço público, elas têm suas rotas garantidas e distribuídas entre a concorrência oficial, além de preços regulados. O que a primeira vista parece ser algo positivo tem sido seu Calcanhar de Aquiles. Com toda esta “proteção”, tais empresas,em quase toda sua maioria, acostumaram-se a pouco pensar e entender o cliente e suas expectativas. As melhorias implantadas são de caráter muito mais operacional que mercadológico. Salvo algumas raras exceções, pouco ainda se pensa no cliente. Enquanto que as companhias aéreas despejam promoções na televisão, internet e revistas a um ritmo alucinante, nas rodoviárias elas praticamente inexistem, mesmo nos períodos de baixa temporada. É certo que a ANTT (a Agência Nacional de Transportes Terrestres, que fiscaliza as empresas que operam trechos interestaduais) não é tão flexível neste quesito quanto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), mas quando realizadas, as promoções se limitam a descontos em determinadas rotas (normalmente para combater as clandestinas).
O entendimento do cliente é outro ponto fraco das rodoviárias quando comparadas às aéreas. Poucas são as empresas que realizam pesquisas com seus clientes ou que mantém uma base de dados atualizada. 
Menor ainda é o índice daquelas que utilizam ativamente estes dados (que eu me lembre, apenas dois grupos
possuem programas de fidelidade, algo corriqueiro nas companhias aéreas).
Quanto à oferta de serviços diferenciados, apenas recentemente as maiores companhias do setor rodoviário
começaram a se preocupar com estes aspectos, oferecendo salas vips, tapetes vermelhos, serviços de bordo, entre outras coisas. Menos atenção é dada à experiência do cliente durante a viagem, como a
qualidade das paradas (comida, banheiro, preços, etc) e os atrasos e quebras, entre outras coisas.

É certo que viajar de avião já foi muito mais glamoroso, mas ainda assim, quase sempre representa uma experiência anos luz a frente daquela oferecida pelos um ônibus.
Já o desenvolvimento de novos canais de vendas é um desafio para ambos os modais. Enquanto as viações ainda sofrem tentando se adaptar a uma nova realidade em que o cliente não precisa mais ir até o guichê da rodoviária para comprar sua passagem, para as áreas, o obstáculo a ser vencido é chegar até a nova classe consumidora, que tem hábitos diferentes dos clientes com as quais historicamente aprenderam a lidar.
Estes são apenas alguns exemplos que mostram como ainda há um grande caminho a ser percorrido, do
ponto de vista de Marketing, neste segmento da economia e em uma região do Brasil com grande potencial e que só agora começa a despertar. As empresas de ônibus precisam pisar no acelerador das boas práticas de Marketing se não quiserem ver seus clientes migrando rapidamente para outras alternativas mais convenientes ou simplesmente mais econômicas de transporte. Um grande desafio para os gestores destas companhias.
Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br/

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