segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Chivas: turismo e festa sobre rodas podem desaparecer da Colômbia

Ricardo Maldonado Rozo.
Cartagena (Colômbia), 5 ago (EFE).- As chivas, coloridos e festivos ônibus que percorrem as ruas colombianas repletos de turistas, correm risco de desaparecer se ocorrer a modificação de um decreto que regulamenta seu uso e que foi apresentada pelo Ministério de Transporte.
Este departamento apresentou no mês passado uma minuta para transformar o decreto 174 de 2001, que regulamenta os Serviços Especiais de Transporte Público Terrestre Automotor de Passageiros, e proíbe explicitamente o uso das emblemáticas chivas, o que ainda surpreende o setor turístico.
O diretor-executivo da Associação de Proprietários de Chivas Turísticas de Cartagena de Indias, Juan Carlos Pérez, disse à Agência Efe que o grupo não entende qual poderia ser a causa para impedir seu uso e reivindicou explicações.
Estes velhos ônibus com teto e sem janelas circulam maltratados, mas cheios de gente pelas cidades de Cartagena, Bogotá, Cali e Medellín, ajudando que os passageiros desfrutem o percurso pelos principais pontos turísticos com música popular e, em algumas ocasiões, algumas garrafas de rum e aguardente.
Suas carrocerias de metal e madeira inspiraram artistas populares que as utilizam como telas e registram as mais belas paisagens nacionais, retratam os líderes políticos, esportivos e artísticos e reproduzem partes da literatura colombiana.
Embora haja pouca documentação sobre este veículo, sabe-se que a primeira chiva nasceu em 1913 na região de Antioquia, da qual Medellín é capital, e que este sistema foi por anos o único meio de transporte das pessoas e mercadorias entre os recônditos povos nas montanhas colombianas.
Após levar enormes fardos de batata, banana e até galinhas vivas, algumas chivas foram fagocitadas pela indústria turística e receberam o sobrenome de rumberas, outras ultrapassam as fronteiras como ícone da Colômbia e dezenas ficam no sudoeste do país como único meio de transporte para comunidades indígenas.
Mas a minuta desconhece toda esta bagagem histórica e cultural, pois em seu capítulo III, artigo 28, diz :"O serviço público de transporte terrestre nesta modalidade será utilizado em automóveis, campesinos, micro-ônibus, ônibus e não poderá ser realizado em chivas".
E continua ao afirma que "as empresas de Serviços Especiais de Transporte Público Terrestre Automotor de Passageiros não poderão vincular à firma sob nenhuma forma contratual veículos provenientes de outra modalidade de serviço".
O Ministério de Comércio, Indústria e Turismo se oferece para mediar entre seus colegas de Transporte e os operadores turísticos, que reivindicam as chivas ou "ônibus escada" como elementos que fazem parte do patrimônio cultural do país.
Os proprietários de chivas turísticas de Copacabana reiteraram que a intenção de proibi-las "é algo que realmente caiu muito mal porque é um serviço de muita tradição com uma quantidade de situações ao redor, em nível de empregos, em nível de famílias".
Só em Cartagena há 21 chivas de 13 donos que geram cerca de 60 empregos diretos e pelo menos dois mil indiretos entre músicos e vendedores ambulantes, entre outros.
Apesar do dano de todas as cidades que usam as chivas como atração turística, em Cartagena o prejuízo seria maior por se tratar da cidade que mais depende desta indústria, em uma sociedade na qual 60% da população vive abaixo da linha de pobreza e as fontes de emprego formal são muito poucas. EFE

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