terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ônibus testa sistema para deficientes visuais

Equipamento que emite aviso sonoro foi instalado na linha Auxiliadora e deve trazer mais autonomia para os usuários
Jessica Gustafson
FREDY VIEIRA/JC
Cohen testa aparelho para melhorar o acesso de cegos a ônibus
Cohen testa aparelho para melhorar o acesso de cegos a ônibus
A linha 510 - Auxiliadora, da Carris, foi escolhida para testar um equipamento transmissor que deve dar mais autonomia para os deficientes visuais que utilizam o transporte público da Capital. Na manhã de ontem, motoristas de 12 coletivos foram instruídos sobre como utilizar o aparelho.

O sistema, que entra em operação hoje, funciona por dois módulos, um transmissor e um receptor. O primeiro será utilizado pelos passageiros e o segundo é fixo, instalado nos veículos da linha. Assim, o deficiente visual aciona o seu aparelho quando estiver na parada de ônibus e o motorista recebe a indicação, a 100 metros do local, de que precisa estacionar no próximo ponto. Ao chegar, o veículo emite um aviso sonoro informando o número da linha e facilitando a direção até a porta. O modelo já foi implantado em três cidades do País, mas na Capital existirá uma diferença: quem pagará o aparelho móvel será o usuário.

O secretário municipal de Acessibilidade e Inclusão Social, Raul Cohen, admite que a cidade ainda precisa evoluir muito no quesito acessibilidade e ressalta que a falta de recursos faz com que as adaptações não estejam disponíveis em todos os locais. “Nossa vontade era rebaixar todos os meio-fios nas faixas de segurança para os cadeirantes e implantar sinaleiras sonoras para orientar os cegos. Existe uma série de equipamentos que precisa ser disponibilizada, mas só conseguiremos essas adaptações daqui a algum tempo, pois faltam recursos”, diz.

De acordo com Cohen, a divisão do custeio do aparelho entre a prefeitura e o deficiente visual será necessária devido ao porte da cidade e à grande quantidade de ônibus. Segundo ele, o valor deve ser acessível, custando cerca de R$ 100,00. Entretanto, segundo Adriano Assis, diretor-comercial da Geraes, empresa de Belo Horizonte que fabrica os equipamentos, o dispositivo móvel deve ser mais caro, variando entre R$ 200,00 e R$ 400,00, dependendo da quantidade de aquisição.

O projeto-piloto, feito em parceria entre a pasta, a Empresa Pública de Transporte e Circulação e a Carris, será testado por 30 dias. Os 12 deficientes visuais escolhidos para o teste, que fazem parte da União de Cegos do Rio Grande do Sul (Ucergs), Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs) e Associação de Cegos Louis Braille (Acelb), devem, no final desse prazo, emitir um relatório avaliando o sistema. Se for aprovado, toda a frota da Carris receberá a inovação.  “Existem cerca de cinco mil cegos na Capital e com o sistema eles passam a ter mais autonomia em seu deslocamento, não dependendo de outras pessoas para informar se o ônibus está chegando”, explica Cohen. Ainda não existe definição se as outras empresas de ônibus da Capital participarão do projeto.

Daniel Lucas Cardoso, 36 anos, foi o primeiro deficiente visual a utilizar e a aprovar o equipamento. “Achei muito bom porque o sistema amplia a nossa mobilidade. Tem dias que fico sozinho na parada e não tenho como saber quando o ônibus passa”, relata. Segundo ele, o trajeto diário entre a casa e o trabalho será facilitado com o mecanismo.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/

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