sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

São Paulo busca sustentabilidade com ônibus a bateria

Projeto pioneiro no mundo foi desenvolvido em parceria por empresas do Japão e do Brasil. Objetivo é reduzir emissão de poluentes no meio ambiente.

Aurea Santos


Edson Lopes Jr.

Estado vai verificar viabilidade econômica do projeto
São Paulo – O estado de São Paulo está testando o primeiro ônibus movido totalmente a baterias do mundo. O objetivo do novo veículo é reduzir a emissão de poluentes no meio ambiente. Os testes com passageiros começaram na quinta-feira (20), com a participação do governador Geraldo Alckmin.

Os custos do projeto foram bancados pelas empresas Mitsubishi Heavy Industries (MHI) e Mitsubishi Corporation (MC), do Japão, e pela concessionária brasileira Metra (Sistema Metropolitano de Transportes). Já o desenvolvimento da tecnologia foi feito pela MHI e pela brasileira Eletra Industrial.

“A montagem do conjunto foi feito pela Eletra Industrial. O ônibus é quase todo brasileiro, o chassi, a carroceria, o motor. Só a bateria e o carregador são japoneses”, conta Ivan Regina, gerente de Planejamento e Projetos da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), órgão estadual que fiscaliza e regulamenta o transporte na região metropolitana de São Paulo.

Segundo informações da EMTU, as baterias são compostas por íons de lítio recarregáveis, como as utilizadas em equipamentos eletrônicos portáteis, capazes de armazenar muito mais energia do que as baterias de tração usadas mais comumente. Os ônibus a bateria também dispensam o uso dos cabos que ligam os tradicionais trólebus à rede elétrica da cidade.

Durante seis meses, o veículo, que tem 18 metros e capacidade para 124 passageiros, vai ficar rodando em sistema de testes no trecho de 11 quilômetros entre o Terminal Metropolitano Diadema e a estação Morumbi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

De acordo com a EMTU, a operação foi planejada para permitir quatro recargas rápidas ao longo do dia, cada uma com duração de quatro minutos, no Terminal Diadema, totalizando 160 km de rodagem por dia, incluindo deslocamentos entre a garagem e o terminal. O ônibus receberá também cargas lentas, com duração de duas a três horas, na garagem da Concessionária Metra durante a noite e em horários de baixa demanda de passageiros.

Nesta fase de testes, a EMTU vai avaliar a viabilidade financeira do projeto para verificar se vale a pena implementá-lo na frota paulista. “O objetivo é saber quanto custa. Nessa mesma linha, vai rodar este ônibus (a bateria) e o ônibus sombra (a diesel) para comparar o custo do diesel com a bateria”, explica Ivan.

“Teoricamente, o custo do elétrico é menor do que o diesel, mas temos uma certificadora do processo que vai verificar o gasto de energia”, diz o executivo. A empresa que vai fazer a verificação dos custos é a paulistana Netz, de engenharia automotiva.

Ivan lembra, no entanto, que a principal meta do projeto é ambiental. Segundo ele, um ônibus a diesel gasta 3,5 mil litros de combustível por mês e emite nove toneladas de gás carbônico. “O ônibus a bateria é mais silencioso que o normal, já as condições de conforto são tão boas quanto as dos outros. Para o usuário é indiferente, a diferença é para o meio ambiente”, afirma.

Ele ressalta que não há dinheiro do governo do estado envolvido no projeto e que ainda não é possível saber quanto as concessionárias poderão economizar na operação e manutenção de suas frotas, caso o novo ônibus venha a ser aprovado para uso regular.

“O ônibus [a bateria] tem toda a flexibilidade do diesel e não emite gás que causa o efeito estufa. É um sonho de ônibus. Se a parte econômica for atendida, a sociedade ficará muito satisfeita”, diz Ivan. De acordo com o gerente da EMTU, não há previsão de aumentos das tarifas para os usuários caso o novo ônibus venha a ser adotado.

Fonte: http://www.anba.com.br/

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