segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Projetos de BRTs movimentam indústria de ônibus

Montadoras intensificam disputa para equipar novas linhas rápidas no País
Integrante dos planos de melhoria do transporte público na maioria das cidades-sede da Copa do Mundo 2014, os sistemas de ônibus rápidos, os BRTs, abrem uma nova frente de disputa entre as indústrias de carrocerias e de chassis de ônibus. De olho na chance de fornecer veículos para as linhas em construção ou em planejamento em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, as empresas aceleram lançamentos dos veículos voltados para o sistema que utiliza veículos articulados com capacidade para até 270 passageiros.
A expectativa no mercado é de que as novas operações de BRTs exijam a aquisição de cerca de 2,5 mil coletivos especiais até 2014. O volume equivale a mais de 20% do mercado brasileiro anual de ônibus urbanos, que é de 12 mil unidades, segundo Dario Ferreira, diretor comercial da Comil Ônibus, que espera abocanhar 15% desse mercado. A empresa lançou, no início de outubro, um novo modelo voltado para o segmento durante a Fetransrio 2012, uma das principais feiras do segmento no País, realizada no Rio de Janeiro.
A Neobus também aposta no segmento. A empresa desde 2011 produz BRT, como um modelo biarticulado utilizado em Curitiba. E também aposta nas exportações para países como Chile e Equador.
Como a maioria dos projetos entra em operação até 2014, o próximo ano deve marcar a intensificação da concorrência entre as montadoras na briga pela preferência das operadoras e das prefeituras. Maurício da Cunha, diretor industrial da encarroçadora Caio Induscar, espera o mercado de BRT em alta já em 2013. “Nós queremos vender 500 unidades, o equivalente a 5% da nossa produção”, diz o executivo da empresa que começou neste ano a produzir uma linha de coletivos para essa modalidade.
Enquanto os projetos das capitais e sedes da Copa lideram o atual ciclo de implantação de BRTs, depois de 2014 as indústrias devem se voltar para as cidades de médio porte. “Os municípios a partir de 400 mil ou 500 mil habitantes também devem adotar esse tipo transporte”, diz Paulo Corso, diretor de operações comerciais da Marcopolo. A empresa já montou BRTs para cidades da América Latina e tem veículos em operação no Corredor Transoeste, no Rio de Janeiro. Segundo levantamento do projeto BRT Brasil, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, o Brasil tem hoje, pelo menos, 15 cidades com projetos em andamento, com investimentos que superam a marca de R$ 8 bilhões até 2016.
A sigla BRT vem do inglês Bus Rapid Transit, que significa Transporte Rápido por Ônibus. O sistema prevê linhas expressas com ônibus articulados com capacidade entre 160 e 270 passageiros. Os ônibus circulam em pistas exclusivas, e as estações contam com pistas de ultrapassagem. Para entrar no veículo, os usuários pagam sua passagem ao ingressar na estação, como em um metrô, o que reduz o tempo de embarque. Um dos principais atrativos é o custo de instalação, inferior ao dos trens subterrâneos, e o tempo de implantação, que pode ser de apenas um ano, de acordo com Wagner Colombini, diretor da Logit Consultoria.
O Sistema de BRT mais antigo do Brasil é o de Curitiba, implantado nos anos 1970. Mas foi nos últimos anos, com o aumento da frota de veículos e a multiplicação de congestionamentos nas grandes cidades, que o sistema entrou nos planos das prefeituras brasileiras para melhorar a eficiência da mobilidade urbana. Além das capitais do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, também há planos para o uso do sistema em Belém, Brasília, Campo Grande, Cascavel, Curitiba, Goiânia, Recife, Manaus, Maringá, Uberlândia, Vitória e Curitiba, que deve ganhar novas linhas.
Cartola – Agência de Conteúdo 
Especial para o Terra

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